Sinalização fotoluminescente: o que é, o que a norma exige e onde usar
Num incêndio ou numa queda de energia, a primeira coisa que some é a luz. Fumaça e escuridão fazem as pessoas perderem a noção de onde fica a saída, e é aí que a sinalização fotoluminescente faz diferença: ela continua visível sem precisar de energia elétrica.
Neste artigo, explicamos como o material funciona, o que as normas exigem e onde ele deve ser usado num prédio.
O que é sinalização fotoluminescente
O material fotoluminescente tem pigmentos que absorvem a luz do ambiente, seja do sol ou das lâmpadas. Quando a luz apaga, ele devolve essa energia em forma de brilho, normalmente esverdeado.
O processo tem duas fases:
Carga: com a luz acesa, o material acumula energia. Por isso ele precisa ficar num lugar iluminado o tempo todo.
Descarga: no escuro, ele brilha forte nos primeiros minutos e vai perdendo intensidade aos poucos. O brilho dura o suficiente para as pessoas saírem do prédio.
Como não depende de fiação nem de bateria, o material não falha quando a energia cai. Ele também dispensa manutenção elétrica.
Como funciona o material fotoluminescente · carga e descarga
O que as normas exigem
Três referências valem para a sinalização fotoluminescente:
ABNT NBR 16820: é a norma de sistemas de sinalização de emergência. Publicada em 2020, ela cancelou e substituiu as três partes da antiga NBR 13434. É ela que define cores, símbolos e o desempenho do material.
Instruções técnicas do Corpo de Bombeiros: cada estado tem a sua. Elas dizem quais placas são obrigatórias, em que altura e em quais tipos de edificação.
ABNT NBR 9050: pede faixa contrastante na borda dos degraus, de preferência fotoluminescente ou retroiluminada.
Desempenho mínimo do material
O material precisa manter um brilho mínimo depois que a luz apaga. A regulamentação do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, que segue a NBR 16820, dá um exemplo de especificação:
140 mcd/m² de luminosidade 10 minutos depois que a luz apaga
20 mcd/m² depois de 60 minutos
1.800 minutos até o brilho cair a 0,3 mcd/m²
Antes de comprar, peça ao fornecedor os dados de luminosidade e a certificação do material.
Onde usar sinalização fotoluminescente
As alturas abaixo são as da regulamentação do Rio Grande do Sul. Os outros estados usam valores parecidos, mas vale conferir a instrução técnica do seu.
Rotas de fuga
As placas devem marcar o caminho sem interrupção, de qualquer ponto do prédio até a rua. Toda mudança de direção, escada e rampa precisa estar sinalizada.
Na parede ou em pilares: entre 1,80 m e 2,10 m do piso até a base da placa.
No teto ou no centro da rota: entre 2,10 m e 3,10 m.
Portas de saída de emergência
A placa de saída fica logo acima da porta, a no máximo 0,20 m da verga.
Equipamentos de combate a incêndio
Extintores, hidrantes e acionadores de alarme recebem placa a 1,80 m do piso, acima do equipamento.
Onde fica cada sinalização fotoluminescente · vista de frente
Degraus e escadas
A fita antiderrapante fotoluminescente na borda de cada degrau mostra onde o pé deve pisar no escuro. Além da segurança em emergências, ela atende à NBR 9050.
Degraus com faixa fotoluminescente no escuro · vista lateral
Sinalização de rota continuada
É uma faixa ou sequência de setas perto do piso, ao longo de toda a rota. Ela ajuda quando a fumaça esconde as placas altas, porque a fumaça sobe. Em alguns tipos de edificação, ela é obrigatória. A fita fotoluminescente em rolo é a solução mais prática para esse caso.
Quando a fotoluminescência não basta
O material só funciona se receber luz. Em locais sem iluminação suficiente para carregá-lo, a regra pede iluminação de emergência de balizamento no lugar das placas.
Fita, placa ou adesivo: como escolher
O formato certo depende do lugar onde a sinalização vai ficar:
Fita fotoluminescente em rolo: é a opção mais versátil. Serve para contornar portas, marcar rodapés e fazer a sinalização de rota continuada.
Fita antiderrapante fotoluminescente: é a indicada para degraus. Brilha no escuro e ainda reduz o risco de escorregão.
Fita fotoluminescente recortada: peças prontas, de 7 x 3 cm ou 20 x 3 cm, para marcar a borda de degraus e desníveis de forma padronizada.
Placas fotoluminescentes: indicam saídas, rotas de fuga e equipamentos. Precisam seguir os símbolos e as cores da NBR 16820.
Em qualquer caso, confira com o fornecedor os dados de luminosidade e a certificação do fabricante.
Erros comuns
Instalar placas em locais sem luz, onde o material nunca carrega.
Deixar as lâmpadas que carregam o material apagadas fora do horário comercial.
Usar material sem dados de luminosidade comprovados nem certificação.
Sinalizar só a porta de saída, sem marcar o caminho até ela.
Colocar placas de rota acima de 2,10 m na parede ou abaixo de 1,80 m.
Esquecer a borda dos degraus nas escadas de emergência.
Cobrir placas com móveis, decoração ou divisórias depois da vistoria.
Checklist rápido
✔ Material com dados de luminosidade e certificação comprovados
✔ Rota de fuga sinalizada sem interrupção até a saída
✔ Placa de saída logo acima de cada porta da rota
✔ Placas de rota na parede entre 1,80 m e 2,10 m
✔ Equipamentos sinalizados a 1,80 m, acima do extintor ou hidrante
✔ Borda dos degraus com faixa fotoluminescente
✔ Iluminação suficiente para carregar o material
✔ Instrução técnica do Corpo de Bombeiros do seu estado conferida
Conclusão
A sinalização fotoluminescente é barata, não depende de energia e funciona justamente quando tudo apaga. Instalada no lugar certo e com material certificado, ela guia as pessoas até a saída com segurança.
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